Excel em concurso: as fórmulas, referências e comportamentos que a banca cobra
A prova não pergunta como usar o Excel. Pergunta o resultado de uma fórmula, o que acontece ao copiar uma célula e por que um cifrão muda tudo. O essencial, com os exemplos que se repetem.
Excel é o item de Informática com maior taxa de erro por excesso de confiança. Todo candidato já usou planilha; poucos sabem dizer de cabeça o que =SOMA(A1:B2;C5) inclui, ou o que acontece com =$A$1*B1 quando a célula é copiada para a linha de baixo.
A banca sabe disso, e monta a questão exatamente na fronteira entre o uso cotidiano e a regra precisa.
Como uma fórmula é lida
Toda fórmula começa com =. Sem ele, o Excel trata o conteúdo como texto e exibe literalmente.
Os operadores seguem a precedência matemática: potência, depois multiplicação e divisão, depois soma e subtração, da esquerda para a direita. Parênteses alteram a ordem.
=2+3*4→ 14 (não 20)=(2+3)*4→ 20=2^3*2→ 16
Comparações usam =, <>, >, <, >=, <= e retornam VERDADEIRO ou FALSO. O & concatena textos: ="Ana"&" Silva" → Ana Silva.
Os dois pontos e o ponto e vírgula
Este é o ponto mais cobrado de todos.
- Dois pontos (
:) definem um intervalo:A1:A5são as cinco células de A1 até A5.A1:B2são quatro células (A1, A2, B1, B2). - Ponto e vírgula (
;) separa argumentos ou células isoladas:A1;A5são apenas duas células.
A combinação é a armadilha clássica:
=SOMA(A1:A3;B5)soma A1, A2, A3 e B5 — quatro células.=SOMA(A1;A3)soma apenas A1 e A3 — duas células.=MÉDIA(A1:A4)divide por 4, mesmo que uma célula esteja vazia? Não — células vazias são ignoradas na contagem. Células com zero contam.
Esse último detalhe decide questões: MÉDIA ignora vazias, mas considera zeros.
Referência relativa, absoluta e mista
Aqui está a segunda grande fonte de erro. Quando você copia uma fórmula para outra célula, as referências se deslocam junto — a menos que estejam travadas com $.
| Referência | O que trava | Ao copiar de B1 para B2 |
|---|---|---|
A1 (relativa) | nada | vira A2 |
$A$1 (absoluta) | linha e coluna | continua $A$1 |
$A1 (mista) | só a coluna | vira $A2 |
A$1 (mista) | só a linha | continua A$1 |
A regra de leitura: o $ trava o que vem imediatamente depois dele. $A trava a coluna A; $1 trava a linha 1.
A questão típica dá uma fórmula em uma célula, diz que ela foi copiada para outra, e pergunta o que ficou. O método: conte quantas linhas e colunas a fórmula andou, e aplique o mesmo deslocamento a cada referência não travada.
Em C1 está
=A1+$B$1. Copiada para C3, fica=A3+$B$1. Andou duas linhas: A1 virou A3; $B$1 não mudou.
Mover (recortar e colar) é diferente de copiar: ao mover, as referências não se ajustam.
As funções que efetivamente caem
Não é preciso saber trezentas funções. Estas resolvem a esmagadora maioria das questões:
| Função | O que faz | Detalhe cobrado |
|---|---|---|
SOMA | soma | ignora texto e vazias |
MÉDIA | média aritmética | ignora vazias, conta zeros |
MÁXIMO / MÍNIMO | maior / menor valor | — |
CONT.NÚM | conta células com número | ignora texto |
CONT.VALORES | conta células não vazias | inclui texto |
CONTAR.VAZIO | conta vazias | — |
SE(teste; se_verdadeiro; se_falso) | condicional | pode ser aninhada |
SOMASE(intervalo; critério; [soma]) | soma com condição | critério entre aspas: ">10" |
CONT.SE(intervalo; critério) | conta com condição | idem |
PROCV(valor; tabela; coluna; [0]) | busca vertical | o último argumento 0 ou FALSO exige correspondência exata |
HOJE() / AGORA() | data / data e hora atuais | sem argumentos, mas os parênteses são obrigatórios |
ARRED(número; casas) | arredonda | ARRED(2,345;2) → 2,35 |
MOD(número; divisor) | resto da divisão | MOD(10;3) → 1 |
O par CONT.NÚM × CONT.VALORES aparece com frequência: dada uma coluna com números e textos misturados, a banca pergunta o resultado de cada uma.
A função SE e o aninhamento
=SE(A1>=7;"Aprovado";"Reprovado") — se A1 for maior ou igual a 7, exibe Aprovado; senão, Reprovado.
Aninhada, cada SE cabe dentro do argumento falso do anterior:
=SE(A1>=7;"Aprovado";SE(A1>=5;"Recuperação";"Reprovado"))
O Excel avalia da esquerda para a direita e para no primeiro teste verdadeiro. Se A1 é 8, o resultado é Aprovado, sem sequer avaliar o segundo SE.
Os erros com nome
A banca cobra o significado de cada um:
| Erro | Causa |
|---|---|
##### | coluna estreita demais para exibir o número (não é erro de cálculo) |
#DIV/0! | divisão por zero ou por célula vazia |
#NOME? | função ou nome de intervalo inexistente (=SOMAR(A1:A3)) |
#VALOR! | tipo de dado errado no cálculo (texto onde se esperava número) |
#REF! | referência a célula que foi excluída |
#N/D | valor não disponível — típico de PROCV sem correspondência |
O ##### é a pegadinha preferida: não indica erro na fórmula, apenas que o resultado não cabe. Alargar a coluna resolve.
Alça de preenchimento
Arrastar o pequeno quadrado no canto inferior direito da célula estende um padrão:
- Um único número: repete (1, 1, 1…). Com Ctrl pressionado, incrementa (1, 2, 3…).
- Dois números selecionados: continua a progressão (2, 4 → 6, 8, 10).
- Texto com número no fim: incrementa o número (Item1 → Item2, Item3).
- Dias da semana e meses: continua a sequência (seg → ter, qua…).
- Fórmulas: copia com ajuste de referências relativas.
Um roteiro para a prova
- Viu
:? É intervalo, conta tudo entre os extremos. Viu;? São itens separados. - Copiou a fórmula? Desloque cada referência sem
$; as com$ficam paradas. - MÉDIA com célula vazia? Vazia não conta; zero conta.
- CONT.NÚM só números; CONT.VALORES tudo que não está vazio.
#####não é erro de cálculo.- Precedência: potência, depois × e ÷, depois + e −.
Vale confirmar no edital qual versão e idioma o certame adota: alguns concursos citam o Excel 365 e outros o LibreOffice Calc, e as funções mudam de nome (SOMA/SUM, SE/IF). A Cebraspe costuma cobrar o resultado de uma fórmula em assertiva de certo/errado; a FGV e a Fundação Carlos Chagas preferem perguntar o valor exibido em uma célula depois de uma cópia.
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