Segurança da informação: o que cada ameaça faz e o que cada defesa protege
Vírus, worm, trojan e ransomware não são sinônimos, e a banca cobra exatamente a diferença. O mapa das ameaças, dos princípios e das defesas que aparece em prova.
Informática em concurso raramente cobra o que o candidato imagina. Não pergunta como instalar um antivírus; pergunta se um firewall detecta vírus em anexo de e-mail (não detecta), se a assinatura digital garante sigilo da mensagem (não garante) e qual tipo de backup exige o conjunto inteiro para restaurar.
São perguntas de definição precisa. Quem estudou por noção geral erra; quem separou os conceitos acerta em quinze segundos.
Os princípios: CID, mais dois
Toda questão conceitual de segurança se ancora em cinco princípios. Os três primeiros formam a tríade clássica:
- Confidencialidade — a informação só é acessada por quem tem autorização. Violada por vazamento, escuta de rede, senha compartilhada.
- Integridade — a informação não foi alterada indevidamente. Violada pela adulteração de um arquivo em trânsito, mesmo que ninguém o leia.
- Disponibilidade — a informação está acessível quando é necessária. Violada por ataque de negação de serviço, queda de servidor, ransomware que trava os arquivos.
E os dois que a prova acrescenta:
- Autenticidade — a informação vem mesmo de quem diz vir.
- Não repúdio (ou irretratabilidade) — o autor não pode negar depois que foi ele.
O exercício típico descreve um incidente e pergunta qual princípio foi violado. Um site fora do ar por sobrecarga: disponibilidade. Um boleto com o código de barras trocado: integridade. Uma planilha de salários vista por quem não devia: confidencialidade.
As ameaças, separadas pelo que as define
A confusão mais comum é tratar "vírus" como nome genérico de qualquer praga. Em prova, cada termo tem um traço definidor.
| Ameaça | O que a define |
|---|---|
| Vírus | Precisa de um hospedeiro (arquivo, programa) e de uma ação do usuário para executar |
| Worm | Autorreplicante: propaga-se sozinho pela rede, sem hospedeiro e sem ação do usuário |
| Trojan (cavalo de troia) | Disfarce: apresenta-se como programa legítimo. Não se autorreplica |
| Ransomware | Criptografa os dados e exige resgate |
| Spyware | Coleta informações sem consentimento |
| Keylogger | Espécie de spyware que registra as teclas digitadas |
| Screenlogger | Captura a tela ao redor do clique — resposta ao teclado virtual dos bancos |
| Adware | Exibe publicidade não solicitada |
| Rootkit | Esconde a presença do invasor e das demais pragas |
| Backdoor | Mantém uma porta de acesso aberta para retorno futuro |
| Botnet | Rede de máquinas infectadas ("zumbis") controladas remotamente |
Três pares que a banca adora inverter:
- Worm × vírus. Se o enunciado diz "propaga-se automaticamente pela rede sem intervenção do usuário", é worm. Se diz "anexa-se a um arquivo executável", é vírus.
- Trojan × vírus. O trojan não se replica. Ele entra porque o usuário o instalou achando que era outra coisa.
- Rootkit × backdoor. Rootkit oculta; backdoor dá acesso. Costumam vir juntos, mas a função é diferente.
Engenharia social: quando o alvo é a pessoa
Nenhuma dessas técnicas explora falha de software. Explora a confiança de quem está do outro lado.
- Phishing — mensagem que se passa por instituição confiável para obter dados. Disparo em massa.
- Spear phishing — phishing dirigido a uma pessoa ou organização específica, com dados reais da vítima para parecer legítimo.
- Pharming — redireciona a vítima para um site falso adulterando a resolução de nomes (DNS), mesmo que ela digite o endereço correto.
- Vishing — por chamada de voz. Smishing — por SMS.
O detalhe que decide questão: no phishing a vítima clica num endereço falso; no pharming ela digita o endereço certo e ainda assim vai parar no site falso. É por isso que o pharming é considerado mais grave.
Criptografia e assinatura digital
Aqui está a maior fonte de erro da matéria.
Criptografia simétrica usa uma única chave para cifrar e decifrar. É rápida e adequada a grandes volumes. O problema é logístico: as duas partes precisam combinar a chave com segurança antes. Exemplo cobrado: AES.
Criptografia assimétrica usa um par de chaves — uma pública, uma privada — matematicamente ligadas. O que uma cifra, só a outra decifra. Exemplo cobrado: RSA.
Desse par saem dois usos opostos, e trocá-los é o erro clássico:
Para garantir sigilo, cifra-se com a chave pública do destinatário — só ele, com a sua privada, consegue abrir.
Para garantir autenticidade, assina-se com a chave privada do remetente — qualquer um verifica com a pública dele, e só ele poderia ter assinado.
Daí decorre a afirmação mais cobrada da matéria: a assinatura digital garante autenticidade, integridade e não repúdio — mas não garante confidencialidade. A mensagem assinada continua legível para quem a interceptar. Para ter as duas coisas, assina-se e depois se cifra.
O certificado digital resolve o passo seguinte: como saber que aquela chave pública é mesmo do titular. Uma Autoridade Certificadora atesta o vínculo entre a chave e a pessoa. No Brasil, a hierarquia é a ICP-Brasil, cuja raiz é gerida pelo ITI.
Backup: a diferença que cai em toda prova
São três tipos, e a distinção está no que é copiado e no que é preciso para restaurar.
- Completo (full) — copia tudo, sempre. Cópia mais demorada, restauração mais simples: basta ele.
- Incremental — copia o que mudou desde o último backup de qualquer tipo. Cópia mais rápida e enxuta. Restaurar exige o último completo mais todos os incrementais, na ordem.
- Diferencial — copia o que mudou desde o último backup completo. Cresce a cada dia. Restaurar exige o último completo mais o último diferencial — apenas dois conjuntos.
O resumo que resolve a questão: incremental é o mais rápido de gravar e o mais lento de restaurar; diferencial é o inverso.
Vale conhecer também a regra 3-2-1, citada em provas mais recentes: três cópias dos dados, em dois tipos de mídia diferentes, sendo uma delas fora do local físico.
O que cada defesa realmente faz
| Ferramenta | Função | O que não faz |
|---|---|---|
| Firewall | Controla o tráfego que entra e sai, por regras de porta, endereço e protocolo | Não analisa o conteúdo de arquivos nem remove malware |
| Antivírus | Detecta e remove código malicioso no dispositivo | Não filtra tráfego de rede |
| IDS | Detecta intrusão e alerta | Não bloqueia |
| IPS | Detecta e bloqueia | — |
| VPN | Cria um túnel cifrado sobre rede pública | Não torna o usuário anônimo nem protege contra malware |
| Proxy | Intermedia o acesso, permite filtro e cache | Não substitui o firewall |
E a pegadinha mais frequente sobre navegação: o cadeado do HTTPS indica que o canal está criptografado, não que o site é confiável. Um site de phishing pode ter certificado válido — e a maioria hoje tem. Cadeado protege o transporte, não a idoneidade do destino.
Autenticação em três fatores
A classificação que a prova cobra:
- O que você sabe — senha, PIN, resposta secreta.
- O que você tem — token, celular que recebe o código, cartão.
- O que você é — biometria: digital, face, íris.
Autenticação de dois fatores exige elementos de categorias diferentes. Senha mais pergunta secreta não é 2FA — são dois itens do mesmo fator. Senha mais código enviado ao celular, sim.
Um roteiro para a hora da prova
Diante de uma assertiva de segurança, teste nesta ordem:
- O enunciado descreve propagação automática? Worm, não vírus.
- Descreve disfarce sem replicação? Trojan.
- Diz que a assinatura digital garante sigilo? Falso.
- Diz que o firewall detecta vírus? Falso.
- Diz que se restaura um backup incremental só com o último arquivo? Falso — precisa da cadeia inteira.
- Diz que o cadeado garante que o site é confiável? Falso.
Essas seis verificações cobrem uma fatia grande das questões de segurança em provas de Correios, INSS, Caixa e Banco do Brasil.
Vale observar o recorte da sua banca: a Cebraspe cobra segurança em assertivas curtas de certo/errado, em que uma única palavra trocada — "detecta" no lugar de "bloqueia" — inverte o gabarito. A FGV tende a montar cenários mais longos e pedir a classificação da ameaça descrita.
Treine com questões reais
Provas oficiais com gabarito conferido, simulados cronometrados e correção comentada. Sem questão inventada.
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